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Talento e Vaidade: um alerta.

Aqui compilo 4 frases e disserto de acordo com o que acredito ser um guia simples para crescer nas artes marciais, principalmente para aqueles que praticam sem o auxílio de um instrutor e que tem o HEMA como primeiro prática. Ao final compilo dicas algumas funcionais.



1.    Talento é uma das maiores dificuldades que uma pessoa pode ter, pois trai a necessidade de persistir.


Sabe aquele colega de escola que sempre passou de ano sem precisar estudar, que apreendia o conhecimento de bate-pronto e o aplicava intuitivamente nas provas? Mais a frente, este é que mais sofre ao sair para o mundo. Quando encontrar desafios que dependam de um processo constante e dedicação real, entram em pânico, travados pelo sentimento de “Isso nunca aconteceu antes”. Por vezes, buscará defeitos nos outros quando o vírus já se instaurou.

 

2.    A vaidade é um guarda-chuva que tapa o sol. Enquanto você fica confortável, os outros florescem na adversidade.

 

Na Esgrima Histórica, aquele que inicia vencendo seus colegas será tentado pela vaidade. Uma vez infectado, não passará pela devida curva de aprendizado, sentirá que precisa de menos correção e se policiará pouco. “Como eu não sei o que estou fazendo se o golpe pegou?” é uma fala sintomática que já ouvi. Sinal de que mimetizou, mas não compreendeu.

Os resultados iniciais entregam um relatório tentador. “Se Eu acertei, Eu já sei.” Entretanto, os vícios que não o incomodam hoje se acumularão com o tempo e a dificuldade tardia virá com impacto proporcional.

Aqui estão os remédios: tempo e exposição.

 

3.    Assim como o tempo refina, intensifica e matura um bom queijo, também estraga e infecta o mal feito. Só será reconhecida a diferença quando pôr a prova.

Sim, estou com fome, mas a analogia ainda cabe ao esgrimista.

 

Acredito que tal seja o principal papel dos torneios neste meio. Retirar os esgrimistas de suas mentes, clubes e parceiros de treino (maturados em ambiente rotineiro e controlado) para pôr suas técnicas e táticas a vista.

 

4.    Na melhor das hipóteses, a cura está na derrota. A derrota enfraquece o vírus da vaidade e revela a luz que guia para a evolução.


Para não recair na vaidade, humildade são os anticorpos. Opine, oponha, se imponha, mas ouça. Perca ou vença, busque sempre uma chance de crescimento. E acima de tudo, questione e revise.

 Acertei aquele golpe por acerto meu ou erro do oponente? Teria uma forma melhor de fazê-lo?

Recomendo o uso de gravação de sparrings para revisar técnicas.

 Quais aberturas abro ao executar esse movimento? Como posso diminuí-las?

Para checar a base e movimentação, recomendo treinos de frente as espelhos.  


E o mais importante: Onde eu errei? E onde poderia ter errado?

 
 
 

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